versos plásticos

Franklin Espath Pedroso

Agosto de 1998

Os objetos que Silvia Mecozzi nos apresenta nesta mostra resultam de combinações de técnicas diversas sem deixar à parte seu lado poético.

Alicerçado em seu trabalho no qual envolvia imagens fotográficas com a pintura, o que vimos agora são indícios daquelas técnicas combinadas também à gravura. Só que aqui ela aparta a imagem dos traços num jogo no qual cria diversas camadas separadas entre si mas que compõe uma só peça. Apesar de cada camada ser independente da outra, elas são sobrepostas de maneira a formarem um único corpo.

 

No fazer destas lâminas é que a artista se utiliza de processos com os quais desgasta a superfície da tinta na pintura, lixa e entalha a placa de acrílico como se estivesse preparando uma matriz numa chapa de metal, insere fragmentos de poesia, desenha e brinca com suas composições como se estivesse montando um quebra-cabeça.

 

Apesar de toda sua mestria técnica, Silvia Mecozzi não descura dos aspectos subjetivos da criação, impregnando suas obras de graça e encantamento. Na verdade, esta é a faceta mais importante de seu trabalho, pois é aqui que ela busca reminiscência do passado e as combina com lembranças do presente para criar um novo agora, pleno de liberdade de expressão. O mesmo acontece na utilização de parte ou simplesmente palavras retiradas de poemas as quais são incluídas nestas peças com um apurado pensamento plástico.

 

São Trabalhos que seduzem e encantam, fazendo com que o observador vagueie pelo universo da artista fruindo com idêntico prazer tanto dos estímulos à razão quanto ao coração.

 

versos plásticos